Aqui estão alguns destaques do que realizamos em 2018. Confira!

(Março) Em 1 de março abrimos a nossa “casa de passagem”, a “Casa Rosada”, em Maringá. Com capacidade para receber até 10 pessoas por vez, e com um tempo de permanência médio de 3 meses, durante o ano 22 pessoas (17 adultos e 5 crianças) foram acolhidas, de 7 países: Egito, Iêmen, Palestina, Síria, Paquistão, Venezuela e Haiti. (Curiosidade: Durante este tempo foram servidas na Casa 5.145 refeições!)

As aulas de Português são um dos pilares da programação na Casa Rosada. Além do tempo de aula com os professores voluntários, é preciso dedicar tempo às tarefas diárias de reforço. Só assim, com muita dedicação, é que os novos imigrantes adquirem a “chave” que lhes abre todas as outras portas e que lhes levará à autonomia e à integração social.

Em março foi organizada oficialmente a “REMIR – Rede Evangélica de Apoio ao Migrante e Refugiado”, que aglutina as organizações e igrejas evangélicas brasileiras que servem de alguma forma aos migrantes e refugiados. A REMIR é o braço brasileiro de outra rede internacional chamada “RHP – Refugee Highway Partnership”. A ABUNA sente-se honrada por ter seu fundador, José Prado, fazendo parte da liderança de ambas as redes.

(Abril 2018) A ABUNA esteve em Boa Vista e Pacaraima, fronteira com a Venezuela, tomando ciência da situação e vendo possibilidades de apoio. Após a viagem demos início à uma coalizão chamada “Abrace Venezuela”, com várias organizações, que durante o ano socorreu de diferentes maneiras a centenas de famílias em risco.

No final de abril, após termos retornado de Boa Vista, foi trazido ao nosso conhecimento o caso da Marisol (18), da Venezuela, que foi enganada por uma amiga e caiu nas mãos da rede de prostituição em Boa Vista – RR. Infelizmente, os migrantes em situação de vulnerabilidade são as maiores vítimas deste tipo de crime. Graças à nossa rede de contatos o apoio de voluntários locais, a Marisol foi resgatada pela ABUNA e, depois de cuidada, compramos sua passagem e a enviamos de volta ao seus pais na Venezuela.

(Junho 2018) Em viagem à Tailândia, a ABUNA esteve com várias famílias de cristãos paquistaneses perseguidos, vivendo em situações de extrema vulnerabilidade no exílio forçado. Sem reconhecimento por parte do governo de seu país, do país onde estão (Tailândia) e das agências internacionais (ACNUR), estas pessoas são esquecidos ou ignorados. Sem documentos, são proibidos de trabalhar legalmente, sobrando a informalidade que lhes expõe às redes criminosas do trabalho escravo. Neste contexto, é difícil expressarmos o quanto eles são encorajados por nossa visita. Nossa mensagem a cada um deles foi: “vocês não foram esquecidos, vocês não estão sós”! Além deste trabalho presencial, através de sua equipe de Advocacy, a ABUNA se dedica à defesa dos direitos destas famílias e batalha com os governos para que sejam respeitados e tenham sua situação resolvida.

Num dos momentos mais dramáticos do ano, a ABUNA visitou famílias de migrantes cristãos presos em Bangkok, no Centro de Detenção de Imigrantes. Na foto à esquerda, o “carro-gaiola” usado pra transportar os presos.

A ABUNA também participou do encontro global da “RHP – Refugee Highway Partnership”, realizado em Bangkok. Nos reunimos com líderes de redes nacionais de organizações que servem refugiados no mundo todo. No último dia nosso presidente teve a honra de ministrar ao grupo e ser comissionado para um papel de liderança nos próximos anos.

O conflito na República Democrática do Congo é um dos mais violentos e duradouros de nosso tempo, ceifando mais de 6 milhões de vidas. Em Julho, através de um de seus parceiros locais, a ABUNA recebeu o apelo para resgatar uma família de 7 pessoas – avó, 4 filhos e 2 netos, de um conflito de milícias na região nordeste do país. Após semanas de negociações e busca de soluções, conseguimos tirar a família da zona de guerra, levando-os primeiramente para o Quênia e depois para Uganda, assentando-os num campo de refugiados, perto de seus familiares. Eles ainda demandam muitos cuidados, mas já estão em segurança.

Elizabeth (48), viúva e seus 2 filhos são de Ruanda. Sobreviventes do genocídio, perseguidos em seu país e vítimas de extremo racismo na Índia, onde estão “refugiados”, suas vidas são uma sucessão de violências. Por serem negros africanos, os meninos têm suas notas rebaixadas e não conseguem avançar, apesar de serem excelentes alunos.
A fé em Cristo é a âncora que lhes permite manter a esperança e a sanidade.
Nós os acompanhamos há 2 anos, porém, clamando por justiça, este ano eles nos pediram para trazê-los ao Brasil! (Mais detalhes desta história aqui). Eles são uma das famílias perseguidas que a ABUNA apoia financeiramente. Outras estão na Tailândia, Malásia e Uganda.

O alvo da ABUNA não é somente acolher e socorrer, mas caminhar com as pessoas a fim de terem sua dignidade resgatada, sua autonomia conquistada e, finalmente, serem integradas à sociedade. Esta é mais uma história de superação. Apesar de seu passado brilhante no Oriente Médio e nos EUA, como empresário e “chef”, por muitas razões, John, natural da Palestina, acabou vivendo dias terríveis no Brasil, chegando a ficar nas ruas de São Paulo, onde um parceiro da ABUNA o socorreu e enviou a nós. Cuidamos de sua saúde, o cercamos de amor e encorajamento e, em pouco tempo, John teve sua auto estima resgatada. Na Casa Rosada conheceu o Billal, do Paquistão. Em Setembro, com o apoio de várias pessoas, eles abriram seu próprio negócio, uma pequena lanchonete, com um cardápio incrível, em Maringá. Uma vitória enorme!

Durante o ano a ABUNA recebeu e distribuiu mais de 2 toneladas de alimentos e roupas para famílias de migrantes em situação de risco social (fome) na região de Maringá. Na foto, nosso parceiro haitiano, Emmanuel, que com grande disposição tem nos apoiado nesta tarefa.

Em 2018 a ABUNA recebeu – direta e indiretamente – e investiu em seus acolhidos, mais de R$ 286 mil!!! Além disso, através de uma rede de mais de 40 voluntários, recebemos e ofertamos 9.862 horas de trabalho voluntário!

(Julho 2018) No Fórum: “Teologia Pública: Igreja, Direitos Humanos e Segurança Pública”, promovido pela Unicesumar, nosso presidente, José Prado, coordenou as discussões, ao lado dos professores, Dr. Israel Belo de Azevedo e o Dr. Júlio Zabatieiro.

(Outubro 2018) A ABUNA recebeu o pedido de socorro de uma cristã paquistanesa num país da Ásia. Aos 18 anos foi sequestrada e “vendida” por seu tio para um rico e influente homem de outra religião. Tratada como escrava, e ameaçada de morte por seu marido, com quem teve dois filhos, não teve alternativa senão fugir de seu país para salvar sua vida. Hoje, aos 38 anos, doente, sozinha e desamparada num país que não a reconhece e que lhe persegue, Fátima (nome fictício) busca por justiça e acolhimento. Por se tratar de um caso extremamente complexo e perigoso, a ABUNA teve que abrir nossa segunda casa de passagem (a primeira no exterior) a fim de prover um ambiente seguro até que encontremos uma solução definitiva para seu caso.

Durante 2018 a ABUNA ministrou centenas de palestras, em 21 cidades, de 10 Estados brasileiros, 2 países (Tailândia e Costa Rica, alcançando mais de 25 mil pessoas, sendo 150 líderes mundiais, 250 líderes da América Latina e 3680 líderes no Brasil, em cerca de 120 mil quilômetros (o equivalente à 3 voltas na face da terra!!!) em mais de 100 dias de viagem.


(Novembro 2018) No dia 15 de novembro, a ABUNA, em parceria com a Família Kimura, uma das pioneiras em Maringá, realizou um “motyiori” – refeição tradicional japonesa, onde cada pessoa leva um prato pra ser repartido com todos. Foi um tempo de confraternização, onde os primeiros imigrantes (japoneses) abriram as portas da casa pra receberem os novos imigrantes.

(Novembro 2018) Em San José, Costa Rica, participamos de uma consulta Continental pra discutir o tema do deslocamento forçado, os dispersos, no mundo e especialmente na América Latina. Foram dias intensos, onde nosso presidente, José Prado, pode ministrar sobre a realidade do trabalho no Brasil e os desafios da América Latina.

No início de novembro tivemos a benção de receber um novo casal de missionários em tempo integral, Elivelton e Ana Maria, vindos de Recife. Gente do bem, cheios de alegria e experiência no acolhimento de vulneráveis, o casal veio pra arregaçar as mangas e somar forças nos enormes desafios que temos. Receberemos em janeiro outras 2 famílias de missionários, glória a Deus! Uma vindo também de Recife (viva o Nordeste!) e outra de São Paulo!

(Dezembro 2018) No inicio do ano o Dr. Sam George, indiano, um dos maiores especialistas no mundo em diáspora, convidou nosso presidente para participar,
junto com outros especialistas mundiais, do projeto de um livro abordando os diferentes aspectos da migração mundial contemporânea. O livro,
“Refugee Diaspora”, em Inglês, foi lançado em outubro nos EUA. A foto registra o momento em que ele entrega um exemplar ao Prof. Prado. O ABUNA planeja em breve disponibilizar o livro em português.

(Dezembro 2018) Nos encontramos com o fundador da JOCUM Internacional, Loren Cuninnham, em Maringá. Após compartilhamos os desafios do trabalho com migrantes e refugiados, Loren sentiu-se movido a orar. Um momento único, especial, que com certeza ficou registrado em nosso coração.

Durante o ano trabalhamos bastante na estruturação do Projeto Agroecológico da ABUNA. Nosso filho Gabriel está à frente desta empreitada. O lema é “Cuidando de pessoas, cuidando da terra”. Mais informações e desafios para 2019. Aguardem e orem!

Naturais da síria, passaram os últimos 4 anos na Jordânia, mas apesar de todos os esforços, não se sentiram seguros nem bem vindos no país. Em agosto a ABUNA recebeu o pedido pra acolhimento. Em setembro eles chegaram. Sendo um talentoso barbeiro, e com muita força de vontade, Mohammad já conseguiu emprego numa ótima barbearia em Maringá e poucos dias antes do Natal, já puderam mudar-se para sua casa. Mais uma história de acolhimento e superação.

Christiannis (18), venezuelana, aos 9 anos perdeu uma perna para o câncer. Perdeu também o pai na mesma época, pois, diante da enfermidade da filha, abandonou a família. No início deste ano, fugindo da grave crise em seu país, como muitos de seus conterrâneos, ela foi para Boa Vista. Passou fome, ficou na rua, foi roubada, assediada pela rede de prostituição, até ser resgatada por parceiros locais que nos pediram pra acolhê-la. Em agosto a ABUNA comprou sua passagem e a trouxe pra Maringá. Esforçada, alegre e inteligente, em menos de 3 meses já conseguiu um emprego! Nos próximos dias receberemos sua irmã. Uma nova história sendo escrita!


Estas são algumas, das muitas histórias, em que pudemos participar graças a você, que nos apoia, encoraja, ora e contribui de várias maneiras.

Muito obrigado! Que em 2019 possamos realizar muito mais. Juntos somos mais fortes!